
Se você não conhece, "meet Dan Brown"
O problema maior de Dan Brown para as "mentes pensantes" em geral foi que no início do livro ele declara algumas coisas como FATO, sobre o Priorado de Sião e etc. Coisas essas que são totalmente inventadas por um cara tão fanfarrão quanto ele, o Pierre Plantard, e que foram "mastigadas" em um livro de 85, chamado "A linhagem sagrada e o santo Graal" (tradução livre minha), de Michael Baigent, Richard Leigh e Henry Lincoln.
Enfim, não é sobre isso que eu necessariamente quero falar. Gostaria de falar sobre as críticas (não necessariamente infundadas) que o autor recebe.
Doa em quem doer: Eu acho que os livros do Dan Brown possuem uma narrativa incrível, e como narrativa entendam "como" ele conta a história. Mais ainda, como ele te prende na leitura e coisa e tal. E também é fácil de ver nos textos dele que existe uma pesquisa muito forte envolvida no negócio, ele sempre tenta mesclar algo histórico ou real com a trama que ele está desenvolvendo. Quem tem as versões ilustradas do Código ou do Anjos sabe do que eu tô falando.
Mas tem algo MUITO chocante, e por essa eu daria um "Pedala Robinho" no Dan Brown: A história é igual sempre. Não querendo spoilear muito, mas sempre você vai conseguir sentir um padrão na trama do Sr. Brown. Saca aquele personagem importante X no livro Y que faz A e depois B? É, amigo, ele vai fazer a mesma coisa no outro livro. Fato. Acho que essa é a única grande falha dele. Se tiver outra no livro, com relação a furos na trama e etc, não lembro agora. Mesmo assim, eu leria outro livro dele, só pra ver como é a história por trás de tudo. É como se fosse uma sinfonia. Você sabe (ou saberá agora) que uma sinfonia normalmente se compõe de 4 movimentos, o primeiro "alegrinho", o segundo lento, o terceiro um minueto (uma dança) ou um Scherzo (uma brincadeira, ou, podemos dizer que eles tocavam "for the lulz") e o quarto, de novo algo alegre ou um rondó, que é algo que tem um tema principal intercalado por dois ou três temas que sempre se repetem na música. (Para entender essa sequência, escute toda a peça de Vivaldi "As Quatros estações"). Como dizia, é como uma sinfonia. Tem uma forma pré-estabelecida, mas o que importa é o que acontece no meio do caminho. Ou uma comédia romântica, ou uma novela da Globo.
Isto posto, acho que O Código DaVinci não devia ser considerado o "pior livro da década". Acho que os pseudo-cults que comandam essas paradas acham que uma obra só é boa se chegar ao alcance de poucas pessoas. Se uma quantidade enorme de pessoas usufruir da obra, tá no "mainstream" e portanto não presta. Eu diria que é quase (e enfatizo o QUASE) como o caso do Paulo Coelho. Não aprofundarei sobre ele agora, talvez no futuro. Muita gente fala mal dele também, mas pelos "motivos errados", ao meu ver. Aí ficaram fazendo piada porque o cara entrou na Academia Brasileira de Letras. Entrou justamente por isso, porque incentivou a leitura em milhares de pessoas. Ora, quem você não conhece (que costuma ler coisas) não leu Paulo Coelho? E o mais importante, quantas pessoas que não leem NADA e começam por Paulo Coelho por algum motivo? Estranhamente, o cara tem sua importância.
Enfim. O Símbolo Perdido já está à venda, e eu vou ler...
P.S: Recomendo às pessoas que leiam Frederick Forsythe. Gosto muito dos livros dele, são de ação/suspense (thriller), mas sem muita frescura.